terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Jean-Jacques Rouseau

JEAN-JACQUES ROUSSEAU

Jean-Jacques Rousseau é uma das personalidades mais destacadas da história da pedagogia. Diferentemente de Comenius, não foi propriamente um educador, mas as suas ideias pedagógicas influíram decisivamente na educação moderna. Nasceu em 1712, em Genebra, no seio de uma família calvinista. Ao nascer morre-lhe a mãe, filha de um pastor protestante; o pai, relojoeiro, educa-o de forma bastante irregular, saturando-o de leituras, entre elas os clássicos da Grécia e Roma, Plutarco, principalmente. Isto acentuou-lhe, quiçá, o carácter sentimental e o temperamento exaltado que Rousseau mostrou ao longo da sua vida. Aos 10 anos ficou a cargo de uns tios, fora de Genebra, que confiaram a sua educação a um pastor protestante, morador no campo. De volta a Genebra, trabalha em vários ofícios e é muito mal tratado. Cansado desta vida difícil, foge aos 16 anos da cidade natal e começa uma vida de vagabundo que dura vários anos. Em 1741 estabelece-se em Paris e vive dando aulas de música, copiando partituras, e aqui se relaciona com alguns pensadores da época: Diderot e Gudillac. EM 1750, em Paris, publicou «Um discurso sobre as ciências e as artes» que o fez famoso, mais tarde, em 1775 foi a vez do «Discurso sobre a igualdade dos homens.»
Passou várias vicissitudes. As suas duas obras mais famosas datam de 1762 «O Contrato Social» que serviu de base à revolução francesa e o «Emílio ou da Educação», que inspirou a pedagogia moderna. Faleceu em 1778. Sua vida tem o mérito de reforçar o seu amor e conhecimento da natureza. As emoções e os sentidos permaneciam os princípios fortes de influência. Neste contexto, seus ideais de educação surgiram da sua própria vida. Na sua vida e nas suas teorias dominavam as emoções mais do que a razão; os instintos e desejos naturais presidem a tudo. Sua grande ideia - hoje um lugar comum - que a felicidade e o bem estar humanos são direitos naturais de todo o indivíduo e não privilégio especial de uma classe favorecida; e que a organização social e a educação legítimas existem somente para efectuar realização deste desiderato, havendo de revolucionar a estrutura social. A esta ideia, Rousseau acrescenta como argumento principal: que a ciência, a arte, o governo, a educação como estavam constituídos naquela época impediam esta realização, e, portanto, deviam ser objecto de destruição.
Dado o carácter assistemático das ideias de Rousseau, é muito difícil resumi-las em poucas linhas, no entanto, vou tentar deixar aqui certas ideias essenciais.
- A pedagogia de Rousseau é naturalista, prega o evangelho da natureza, arte, cultura e sociedade. Com efeito, é primordial a natureza na teoria de Rousseau, mas é preciso ter em conta o seu tríplice significado: 1- Externamente, é o oposto das convenções sociais tão desenvolvidas para o tempo; o contrário do artificioso e mecânico - nesse sentido, Rousseau busca o homem primitivo, natural, anterior a tudo o que é social. Isto é apenas o aspecto exterior, negativo, da sua concepção da natureza. 2- O positivo e valioso é a natureza como equivalente ao essencial do homem, o que tem valor substantivo e permanente - nesse sentido, antes cumpre falar do humanismo que do naturalismo de Rousseau. 3- A natureza humana é regida por leis gerais, racionais, acima de todas as circunstâncias históricas e sociais: «(...) será primeiramente homem; tudo o que um homem deve ser», diz Rousseau. Ora, esta educação humana, o que primeiro exige é a liberdade, a independência ante os outros homens. Mas essa liberdade não é ilimitada, é regulada pela necessidade, pela força das circunstâncias naturais, que substituíram o manto e a obediência sociais, artificiosa.
- Outro princípio essencial da pedagogia de Rousseau é o da actividade, aprendizagem pela própria experiência, ao invés do ensino alheio. Neste sentido, é também um dos percursores da escola activa moderna.
Associado a esses princípios está o da psicologia da educação. Rousseau foi o primeiro a ver claramente a diferença entre a mente da criança e a do adulto; o 1º a reconhecer a infância como idade distinta, como fase de caracteres peculiares, que cumpre estudar e respeitar. Antes dele a criança era vista como um adulto em miniatura. A esse estado de infância segue-se o da adolescência, também de características próprias, que cumpre igualmente respeitar.
- Considera-se Rousseau como o representante típico do individualismo na educação, e assim é, de certo modo, já que o seu aluno (Emílio) é educado com um único preceptor.
Mas os fins da sua educação não são individuais, mas sim sociais, apenas distintos dos da educação convencional do seu tempo, contra a qual reagiu. Quer que Emílio conheça um ofício útil para si e para os seus. Tem por mais importante a arte da agricultura, a que se segue a serralharia, a carpintaria, etc... Para ele estes ofícios, constituem a base da sociedade de então e cumpre generalizá-los a outras profissões para compreender seu inteiro alcance social.
- Finalmente, para Rousseau, a educação religiosa não deve ser confessional, e não deve ser dada na infância, e sim na idade da razão, baseada na concepção desta religião.
Claro que ficou ainda muito por dizer da educação Rousseauista, no entanto, terminava resumindo as suas ideias pedagógicas dizendo: que para Rousseau a educação constituí um desenvolvimento natural de dentro para fora, ao contrário de ser uma construção de fora para dentro, como o queriam Locke e os sensualistas; que a educação começa com a vida e que na educação se deve proceder gradualmente, acomodando-se às diversas fases do desenvolvimento: infância, adolescência, juventude. Que a educação há-de ensinar a viver, há-de ser activa e há-de realizar-se em ambiente de liberdade; que conquanto o decisivo seja o desenvolvimento do indivíduo, esse desenvolvimento há-de ter espírito social; que a educação há-de atender tanto ao aspecto físico, como ao intelectual e moral (o sentimento), e onde a vida afectiva tem de ocupar um lugar tão importante como a razão. Em suma, que a educação deve ser integral, total, humana.

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